Caros colegas de redação e jornalistas que atuam em outras cidades
Caros amigos de minha lista de e-mails, que não trabalham nessa área
Peço permissão para encaminhar a vocês um documento que foi discutido pelos jornalistas e acadêmicos de Jornalismo de Santarém, durante o *I Seminário de Jornalistas do Oeste do Pará*, realizado no final de junho. O documento foi elaborado por uma comissão escolhida no evento, da qual participei, e o texto passou por um amplo debate virtual, entre os participantes do evento, até chegar à sua composição final.
Como todos sabem, há mais de um ano o STF - Supremo Tribunal Federal, acabou com a obrigatoriedade do Diploma de Jornalista em todo o país, uma decisão que até hoje divide quem trabalha na área.
Eu pessoalmente, trabalho no jornalismo há mais de 20 anos e sempre lutei pela instalação de cursos superiores nessa área. Em 2006, o primeiro curso finalmente chegou, e de lá para cá pelo menos cinco turmas mescladas de jovens e de veteranos da comunicação, se esforçam para conseguir o diploma.
Fiz parte da primeira turma de diplomados, no início deste ano, e junto com meus colegas decidimos trazer o SINJOR - Sindicato dos Jornalistas do Pará, a Santarém, para debatermos como lutar para que o sonho de muitos profissionais não seja podado por uma decisão como a do STF. É bem verdade que muitos dos colegas que militam na área, sem diploma, até vibraram com a notícia, e talvez alguns destes nem queiram discutir o tema. Mas estamos aberto para o diálogo com todos
Finalizamos, quase um mês depois, a Carta de Santarém, documento que servirá como um manifesto dos jornalistas e acadêmicos de Jornalismo da região, na luta pelos direitos da categoria.
Friso a todos que *em nenhum momento queremos lutar para tirar das redações colegas que ainda não tem diploma!** ** E sim,** **valorizar aqueles que estão tentando conseguir seu diploma e incentivar os que ainda não tem, para que busquem lutar por esse documento**.*
A intenção de organizar os jornalistas já diplomados e os acadêmicos que buscam o diploma, é buscar o entendimento junto às autoridades municipais para que evitem a contratação para o serviço público de quem não tem diploma. Este seria o primeiro passo para valorizar a categoria, como vem ocorrendo em vários estados. *Não queremos, no momento, tirar nenhum dos colegas que por ventura não tenham diplomas, de suas funções*.
Queremos, sim, *formalizar parcerias com órgãos públicos, empresas privadas e as instituições de ensino superior*, para que se possibilite o acesso daqueles profissionais que labutam há décadas no jornalismo local e que não puderam ingressar nas turmas já compostas.
Finalizando, afirmo que temos vários exemplos de colegas que se formaram na primeira turma de Jornalismo, que não fizeram da idade empecilho para renovar um sonho. E como homenagem, cito *o grande jornalista Milton Corrêa, o Miltinho, um dos mais antigos jornalistas de Santarém (mais de 30 anos de experiência), que poderia simplesmente estar na sua redação trabalhando, sem precisar ir à universidade, mas ao invés disso enfrentou, por quatro anos, novamente, o banco da escola e recebeu o seu diploma, não desanimando nem mesmo quando o STF tentou cassar o seu direito!*
Portanto, peço a você que recebe este documento, que o reenvie à sua lista de e-mails, se achar nossa causa justa. E se você tiver blog ou qualquer outro meio de comunicação e achar a luta justa, divulgue nosso manifesto, mesmo que não concorde com ele. Sua contribuição no debate é importante, pois a comunicação é um bem social de todos!
Jornalista Jota Ninos